quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Desaparecida
Um.
Quinze para meia-noite. Cintia andava
apressada pelas ruas; se não andasse logo, perderia o último metrô.
Entrou na estação às pressas, e logo
se dirigiu à plataforma. Estranhou que a plataforma estivesse vazia.
Três minutos, cinco, dez. O trem não
chegava.
Seria possível ter entrado na estação
já fechada? Não. Absolutamente não.
A estação nunca fechava antes da
meia-noite. Ainda assim, se estivesse fechada, ela não conseguiria ter entrado.
Certamente encontraria fechado o acesso à estação.
Cintia afastou tais pensamentos quando
um trem apareceu na estação.
Um trem vazio.
Um trem só para mim, pensou Cintia.
Estranhíssimo.
Pelo menos o trem estava iluminado.
Parcialmente iluminado, na verdade.
Verdade mesmo era que Cintia estava
sozinha num trem mal iluminado.
Uma dúvida passou por sua mente: Teria
visto o condutor do trem?
Ora, ora, mas que dúvida era aquela? É
claro que havia um condutor; afinal, o trem não viajaria sem condutor. Ou
viajaria?
Cintia começou a sentir medo.
O trem chegou à próxima estação –
também vazia -, mas não parou; continuou trilhando em baixa velocidade.
As coisas realmente estavam ficando
sinistras.
Por um instante Cintia pensou ter
visto alguém (ou alguma coisa) no fundo do vagão. Será que não estava sozinha?
Cintia estava confusa. Fora uma visão
muito rápida, que em instantes desapareceu.
Deixe de ser boba, pensou Cintia. Você
não viu ninguém. Apenas sua imaginação lhe pregando uma peça.
Então as luzes se apagaram
completamente e Cintia se viu envolvida pela escuridão.
Trevas.
Sozinha nas trevas.
Talvez nem tão sozinha assim ...
Sentiu seu tornozelo ser tocado.
Algum ser rastejante estaria vindo ao
seu encontro?
Em pânico, Cintia tentou gritar, mas
não houve tempo.
Antes que o grito saísse, Cintia
perdeu os sentidos.
Dois.
Ao acordar, desorientada e no escuro,
sentiu que perderia novamente os sentidos.
Mas, aos poucos, foi se recuperando e
conseguiu se levantar.
Tateando, procurou um assento e se
sentou.
Medo. Muito medo.
Procurou, em vão, saber as horas.
Impossível enxergar as horas em seu relógio. A escuridão continuava total.
De repente o trem parou e Cintia ouviu
o som de portas abrindo.
Sairia daquele trem imediatamente. Mas
pra onde? Sequer sabia em qual estação estava, se é que estava ainda em alguma
estação.
Ainda assim, não estava disposta a
continuar naquele trem escuro, que poderia ter as portas fechadas a qualquer
momento.
Com dificuldade, saiu do vagão
caminhando lentamente. Parecia estar em uma plataforma. Seria mesmo? Maldita
escuridão. Por onde caminhava e onde chegaria?
Logo percebeu que não seria bom
continuar caminhando.
Cintia estava completamente perdida,
desnorteada, com medo e....no escuro.
Em algum momento a luz haveria de
aparecer, claro. Só mais um pouquinho e a luz chegaria.
Será?
Cintia se sentou e começou a chorar.
Algum tempo depois, ainda no escuro,
Cintia se deitou no chão frio de cimento e adormeceu.
Três.
Ao acordar, Cintia viu que, enfim, já
era dia claro.
Nem assim, contudo, Cintia se sentiu
mais à vontade. Continuava sozinha. Continuava perdida.
Cintia não sabia o quanto tinha andado
na escuridão até se sentar e, momentos depois, dormir; mas agora, já claro,
percebeu que não estava mais em uma plataforma.
Estava em uma rua deserta.
Cintia pensou, com certo desespero: o
trem me trouxe para uma rua deserta. Mas por que? Teria um encontro
surpresa com alguém?
Pensou em gritar por ajuda, mas logo
desistiu da ideia. Podia ser perigoso; podia atrair alguém (ou algo)
indesejado.
O jeito era caminhar. Mas pra onde?
Resolveu ir até o final da rua.
Chegando lá, pensaria no que faria a seguir.
Mas não havia nada no fim da rua. Era
uma rua sem saída.
Caminhou até a outra extremidade da
rua. Também sem saída.
Cintia percebeu que estava perdida
(presa?) em uma rua absolutamente deserta, que não tinha saída para lado
nenhum.
Como tinha chegado até lá, não sabia.
E o pior: Não sabia como sair daquele
lugar.
A rua estava deserta, mas talvez
haveria pessoas dentro das casas. O único jeito era verificar e pedir ajuda.
A contra gosto, bateu palmas na casa
que estava a sua frente. Uma casa velha, igual a todas as outras da rua.
Ninguém atendeu. Silêncio.
Bateu palmas em várias outras casas.
Nada.
Sentou no meio fio, baixou a cabeça e
fechou os olhos. Sentiu as lágrimas se formarem novamente.
Ficou de olhos fechados um longo tempo
e quando os abriu....escuridão.
Teria ficado cega? Seria possível ter
escurecido tão rápido?
Estaria novamente na plataforma?
Tudo acontecendo tão rápido e tão sem
sentido.
Cintia ouviu o barulho de passos vindo
em sua direção. Dessa vez não iria desmaiar. Iria gritar com toda a força de
seus pulmões.
Só que, antes que pudesse gritar, a
luz voltou e o que Cintia viu ao seu redor fez com que seu coração parasse de
bater.
Seu corpo foi arrastado sabe-se lá pra
onde...sabe-se lá por quem.
Cintia jamais foi encontrada.
Fonte: Contos de Terror.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
15 filmes de terror que foram baseados em fatos reais
A marca do medo
A trama
se passa no ano de 1974, e fala sobre um grupo de pesquisa da Universidade de
Oxford, chefiado pelo professor Joseph Coupland, psicólogo dedicado a comprovar
a tese de que a mente humana é responsável por criar seus próprios demônios.
Para isso, os pesquisadores isolam a perturbada Jane Harper em uma casa e
começam a fazer experimentos para provar que a aparente possessão demoníaca que
domina a jovem é apenas uma façanha de sua própria mente. Na história original,
grupo de pesquisa de Oxford realmente existiu, mas os relatos desta história
foram realizados pelo único sobrevivente da equipe, que ficou meio perturbado.
Horror em Amityville
Lançado
em 2005, o filme mostra várias eventos sobrenaturais após a chegada da família
Lutz em uma mansão, na vila nova-iorquina, onde um ano antes um homem
assassinou sua família. A história, aliás, se basa em um livro não-ficcional,
chamado The Night the DeFeos Died, que relata o assassinato cometido por Ronald
DeFeo Jr. , julgado e condenado pelo crime em 1974.
Tubarão
O de
Steven Spielberg conta a história de Amity Island, uma comunidade fictícia de
pescadores, que vive temerosa pela presença de um tubarão branco de 25 metros
de comprimento. Pouca gente sabe, mas a trama foi inspirada em uma série de
ataques de tubarões que aconteceu em 1966, na costa de New Jersey, nos Estados
Unidos. Cinco pessoas foram atacadas e quatro morreram. O grande tubarão branco
que espalhava o terror na região tinha sete metros e foi morto em 14 de julho
do mesmo ano. Em seu estômago foram encontrados restos humanos.
A garota da casa ao lado
A
história é ambientada em 1958 e acompanha a trágica sorte de Meg, uma jovem
sequestrada e torturada por seus vizinhos. O filme, inclusive, foi inspirado na
história do assassinato da jovem Sylvia Likens, torturada até a morte aos 16
anos, por Gertrude Baniszewski, seus filhos e diversas outras crianças da
vizinhança. O crime foi considerado o mais desumano até então já cometido no
estado de Indiana, nos Estados Unidos.
O exorcista
A
história horripilante do filme acompanha a tentativa de dois padres de
exorcizar um demônio que possui o corpo de uma menina de 12 anos. Essa saga,
aliás, é contado no livro, também chamado O exorcista, que se baseia em um
artigo publicado em 1949 sobre o exorcismo um garoto de 13 anos, em Mount
Rainier, Maryland. Apesar de ter um fundo de verdade, relatos atestam que o
comportamento do menino não foi tão violento ou sobrenatural quanto no filme, e
nenhum padre morreram no processo.
A maldição dos mortos-vivos
O filme
conta a história de um botânico americano que é enviado ao Haiti, a mando de
uma empresa farmacêutica, para investigar uma substância usada pelos
praticantes de vodu para transforma seus inimigos em zumbis. Embora alegue ser
baseado em fatos reais, o filme é considerada uma adaptação exagerada de um
livro escrito pelo cientista canadense Wade Davi, que narra suas experiências
com zumbificação no Haiti.
Psicose
A
história do assassino Norman Bates foi inspirada na vida de Ed Gein, um cidadão
de Winconsin (EUA), condenado em 1957 pelo assassinato de duas mulheres e por
ter desenterrado cadáveres que se pareciam com sua mãe. Ele foi considerado
psicologicamente perturbado e passou o resto da vida em uma instituição para
tratamento mental.
O Massacre da Serra Elétrica
Esse foi
outro filme inspirado na loucura de Ed Gein. Assim como sugere o nome do
personagem, que veste a pele de suas vítimas como máscara, Gein removia a pele
de suas vítimas mulheres com a intenção de se parecer com sua mãe.
Viagem maldita
No filme,
o carro de uma família norte-americana quebra no meio da estrada, em um passeio
de final de semana. É assim que eles passam a ser perseguidos por um grupo de
assassinos que ataca no deserto. A trama, como contam, foi inspirada na lenda
de Alexander “Sawney” Bean, escocês que teria liderado um grupo de 40 pessoas
que, durante 25 anos, viveu em cavernas e comeu suas mais de mil vítimas.
Os estranhos
Lançado
em 2008, o filme conta a história de Kristen e James, um casal que decide sair
de férias e ficar em uma casa afastada da cidade. Acontece, no entanto, que
eles passam a ser ameaçados por três homens mascarados, com quem lutam para
sobreviver. A história não tem nada de muito surpreendente, mas, conforme o
diretor do filme, a trama foi inspirado por uma série de arrombamentos que
aconteceram em seu bairro, quando era criança.
Evocando espíritos
Na trama,
uma família é forçada a se mudar para perto de uma clínica especializada, na
qual o filho adolescente recebe tratamento contra o câncer. É quando uma série
de eventos sobrenaturais e violentos começa a acontecer na nova casa. A
história do filme foi inspirada no relato real de Al e Carmen Snedeker, casal
que viveu em uma casa supostamente assombrada, onde antes funcionava uma
funerária. Os acontecimentos vividos pela família inspiraram ainda um
documentário sobre a presença de espíritos no lugar.
Brinquedo assassino
A
história de Chucky, um boneco possuído pela alma de um assassino em série, foi
inspirada pelo relato supostamente real de uma enfermeira jamaicana. Ela teria
presenteado o filho de sua patroa com um boneco de vodu de 1m de altura, a quem
ele deu seu próprio nome: Robert. Segundo a história, desde que o garoto ganhou
o boneco, eventos sobrenaturais começaram a assombrar a família. Conforme a
enfermeira, o brinquedo possuído tinha poderes sobre o menino.
A hora do pesadelo
Freddy
Krueger é um dos personagens que mais aterrorizou o sono das pessoas. Sua trama
fala sobre a criatura que mata, ao entrar nos sonhos alheios. A verdade por
trás do filme é que Wes Craven se inspirou em um artigo publicado pelo LA
Times, nos anos 80, que abordava uma série de relatos sobre homens de origem
asiática, que morreram dormindo durante pesadelos. Em um dos relatos, um rapaz
de 21 anos afirmava que não queria dormir por ter medo de morrer durante um
sonho ruim muito estranho que vinha tendo.
O exorcismo de Emily Rose
O filme
fala sobre uma advogada agnóstica, que se envolve na defesa de um padre, líder
de um exorcismo que resultou na morte da garota Emily, supostamente possuída.
Aliás, a trama remonta a história real de Anneliese Michel, uma alemã de 16
anos que apresentava sinais de possessão e que passou uma por duras sessões de
exorcismo durante 10 anos. Além disso, a menina se recusava a comer e sofrer
ferimentos durante os eventos. Ela acabou falecendo em 1976, quando seus pais e
os padres foram condenados pela morte da garota, embora somente os
eclesiásticos tenham cumprido seis meses de prisão.
Do Inferno
No filme,
um investigador da Scotland Yard, em Londres, por volta de 1888, busca o rosto
por trás do mito conhecido por Jack, o Estripador. O serial killer foi
responsável pela morte de cinco pessoas e permanece sem identificação até hoje.
Aliás, esse não foi o único filme sobre Jack ao longo da história do cinema.
Os dez filmes mais assustador e macabro que existe.
1. O Exorcista
Esse clássico de 1973 vai aparecer no topo das
listas até que alguém consiga superar essa história assustadora. O filme conta
a história de uma garota que está mostrando sinais de possessão demoníaca, por
isso sua mãe decide buscar a ajuda de dois padres, para salvar a alma de sua
filha.
O filme é perfeito porque tudo nele funciona: o
elenco é competente, o nível de tensão é imenso, a música se encaixa
milimetricamente em cada cena, soube criar várias cenas que entraram para o
imaginário do cinema e os sustos são sempre MUITO grandes.
2. O Iluminado
Comecemos pelo fato de esse filme ser baseado em um
livro do Stephen King, dirigido por Stanley Kubrick e protagonizado por Jack
Nicholson. “O Iluminado” conta a história de uma família bem normal, que aceita
se mudar para um hotel no meio do nada.
O pai, que é um escritor, começa a ter visões do
passado daquele hotel e ficar mental e espiritualmente perturbado. Alucinações
começam a tomar conta da família, que não tem como escapar de lá. O filme é
ótimo pelas imagens macabras que cria, pelas caras do Jack, pela ótima história
e atuações e também pela cena do banheiro, que entrou para a história.
3. Poltergeist
Depois de assistir a “Poltergeist”, você nunca mais
vai deixar sua TV ficar com chuviscos. Uma família fica maravilhada quando
descobre que fantasmas estão habitando sua casa. No começo, sentir aquela
presença e ver objetos se movendo é incrível.
Mas, os espíritos não estão muito a fim de
brincadeira e logo começam a atormentar os Freeling e sequestram a filha do
casal.
4.O Chamado
Uma fita cassete parece matar qualquer pessoa que a
assista, sete dias depois de ter visto. Uma jornalista decide investigar essa
“lenda urbana” depois que seu sobrinho é uma das vítimas.
Durante a sua investigação, ela descobre uma
história assustadora por trás da lenda, de uma garota que foi morta de forma
trágica. Mas agora, a própria jornalista e seu filho estão correndo o risco de
serem mortos, se não resolverem o mistério.
O filme tem sustos ótimos, te faz tapar os olhos
várias vezes. E se o telefone tocar depois de assistir, você vai descobrir quão
rápido consegue correr.
5. Arraste-me Para o Inferno
Sam Raimi estava famoso por dirigir “Homem-Aranha”,
mas decidiu fazer o tipo de filme que ele mais ama: um terror. E foi assim que
surgiu “Arraste-me Para o Inferno”, com a história da jovem funcionária de um
banco que é amaldiçoada por uma velha nojenta.
Christine vai ter que correr contra o tempo se
quiser se livrar dessa praga e não ser arrastada para o inferno em alguns dias.
6. O Exorcismo de Emily Rose
Depois de ver “O Exorcismo de Emily Rose”, talvez
você queira comprar fraldas. O filme mostra uma advogada cética que decide
defender um padre acusado da morte de Emily Rose, enquanto tentava exorcizá-la.
Com áudios assustadores e sustos que você não vai
esquecer tão cedo, o filme é muito bem feito e cria um clima de suspense
excelente. Você vai ficar com medo de acordar de madrugada e de qualquer
barulhinho durante a noite.
7. The Evil Dead: A Morte do
Demônio
Estamos falando do original, lançado em 1981, que é
um dos filmes mais bizarros já exibido nesse planeta. São cinco amigos que vão
parar em uma cabana no meio do nada. Lá, acabam lendo um tal livro dos mortos,
que invoca vários espíritos até o lugar.
O filme poderia ser só muito assustador, mas ele
também é grotesco. Num nível mais do que nojento. Os jovens são assombrados das
maneiras mais estranhas e inimagináveis possíveis.
8. Espíritos – A Morte Está ao
Seu Lado
Se alguém juntar “terror” e “tailândes” na mesma
frase, você sabe que ela não está pra brincadeira. Os caras sabem fazer bons
filmes de terror. E é exatamente o que acontece aqui, numa história que resume
um medo comum a todo mundo que já tirou uma fotografia.
Um fotógrafo começa a perceber manchas em todas as
fotos que tira. Olhando melhor, percebe que as manchas na verdade são espíritos
que aparecem nas fotos. Depois de falar com alguns amigos, começa a descobrir
uma história do passado que o deixa bem perturbado.
9. A Hora do Pesadelo
Simplesmente o filme que marca o nascimento de
Freddy Krueger, uma das figuras mais assustadoras que a gente já viu. No filme,
o monstro com garras começa a aparecer no sonho de várias crianças.
Mas esse sonho começa a parecer mais real do que
eles imaginava, quando mortes começam a acontecer.
10. Extermínio
“Extermínio” entra na nossa lista por ser um filme
de zumbis com uma ótima história e vários sustos. O filme mostra um cara que
acorda depois de 28 dias em coma e descobre que o mundo está deserto.
Depois de perambular, descobre que um vírus que
estava sendo testado em animais acabou se espalhando e transformando a raça
humana em mortos vivos. Depois de ser resgatado por um grupo de sobreviventes,
ele vai precisar se adaptar e como descobrir nesse novo mundo assustador.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Contos de Terror - A Lenda do Casarão Mal – Assombrado
Este é um conto de terror
conhecido por muita gente.
Reza a lenda que no final da rua,
de uma cidade do interior, existia um casarão onde o proprietário havia sido
assassinado de forma cruel por um bando de ladrões. Atraídos por uma história
que o velho possuía um tesouro composto de ouro e pedras preciosas escondido em
algum lugar da casa os marginais invadiam o local e o torturaram para que ele
revelasse onde estava o tesouro. Porém o velho era pão duro e teimoso, por isso
se recusou a fazê-lo. Os marginais o esquartejaram e lançaram o que sobrou na
lareira.
Desde então todos os anos, a meia
noite do dia do aniversário de sua morte, o fantasma do velho aparece pedaço
por pedaço na lareira, caindo pela chaminé. Dizem que se você esperar por tempo
suficiente o corpo do velho irá se reintegrar e o fantasma lhe dirá onde está o
tesouro. Ocorre que ninguém tem coragem suficiente para assistir a cena
sobrenatural até o fim.
Na data do aniversário da morte
do velho dois garotos chamados João e Tonico estavam na escola quando ouviram a
lenda do casarão assombrado pelo velho proprietário. Eles afirmaram que não
acreditavam em assombrações e seus amigos caçoaram deles os desafiando para que
provassem a sua valentia. O desafio era que eles passassem aquela noite no
local.
Assim que escureceu os outros
garotos acompanharam os dois valentes até local, receosos ficaram esperando em
frente a casa enquanto viam João e Tonico pularem pela janela e sumirem na
escuridão.
Dentro da casa a atmosfera
estranha e fria, sombras fantasmagóricas eram projetadas na parede pela luz das
lanternas dos garotos. Parecia que ninguém tinha ido até o local por anos, pois
a poeira e teias de aranha cobriam tudo. Corajosos os dois acomodaram seus
sacos de dormir próximo a velha lareira quando João olhou para seu relógio e
verificou que era meia noite em ponto.
Imediatamente ouviram um barulho
estranho, era como se algo tivesse caído pela chaminé da lareira. Chegando mais
perto viram que se tratava de uma perna decepada. Tonico soltou um grito de
terror enquanto outra coisa caia pela chaminé, quase caindo por cima deles.
Perceberam que era a outra perna cortada.
Paralisados pelo terror e
sentindo as pernas tremerem viram que outros membros vinham rolando pela
chaminé, até que uma cabeça tenebrosa caiu sobre os restos mortais. Como vermes
rastejantes os membros se juntaram até formarem um cadáver fantasmagórico.
Movendo os olhos e observando as crianças o velho apontou na direção delas.
As outras crianças, que estavam
lá fora, ouviram gritos sobrenaturais provenientes do interior da casa. Amedrontados
ficaram do lado de fora até o amanhecer do dia. Mesmo com medo eles se
aproximaram e pela janela viram um grande baú de madeira em frente a lareira.
Animados eles correram para dentro da casa e descobriram que a arca estava
cheia de moedas de outro e pedras preciosas. Até que um deles recuou
aterrorizado, por baixo do baú havia pernas ensanguentadas. Então eles puxaram
a caixa que revelou os corpos esmagados de Joao e Tonico. A arca do tesouro
havia caído em cima deles...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Sombra - Uma parábola
A todos.
Deixo uma das histórias do grande gênio do terror
Edgar Allan Poe.
Se divirtam.
SOMBRA - UMA PARÁBOLA.
Vós,
que me ledes, estais vivo; mas eu, que escrevo, há muito declinei em meu
caminho para as regiões das sombras. Porque estranhas coisas ocorrerão e coisas
secretas serão reveladas; e muitos séculos terão decorrido até que os homens
leiam estas memórias. E, quando as virem, alguns não lhe darão crédito e outros
irão duvidar; contudo, uns poucos encontrarão razões para meditar sobre os
caracteres aqui gravados com férreo estilete.
O ano
tinha sido de terror e de sensações muito mais intensas que o terror, para o
qual não existe nome sobre a terra. Pois se sucederam muitos prodígios e muitos
sinais e, em toda parte, sobre o mar e sobre a terra, estendiam-se as asas
negras da Peste. Para aqueloutros, doutos na leitura das estrelas, não era
estranho que os céus revelassem uma fisionomia de desgraças; mas, para mim, o
grego Óinos, e para os meus companheiros, era evidente que havia chegado a
alternação daquele ciclo de setecentos e noventa e quatro anos, em que, à
entrada de Áries, o planeta Júpiter entra em conjunção com o anel vermelho do
terrível Saturno. O espírito característico dos céus, se muito não me engano,
era visível não apenas na órbita física da Terra, mas, igualmente, nas almas,
na imaginação e excogitações da humanidade.
Sentados
em volta de algumas garrafas de vinho tinto de Quios, na sombria cidade de
Ptolomais, formávamos nós, à noite, um grupo de sete pessoas. Não havia, em
nossa sala, outra entrada senão a enorme porta de bronze, que havia sido
fundida pelo artista Corino; era de rara compleição e estava trancada por
dentro. No sombrio aposento, negras cortinas alijavam-nos da visão da Lua, das
fúnebres estrelas e das ruas desertas. Mas o presságio e a lembrança do mal não
podiam ser excluídos. Em torno de nós e dentro de nós coisas havia que não
podem ser descritas ― coisas materiais e espirituais: uma atmosfera pesada, uma
sensação de sufocamento, de ansiedade e, sobretudo, esse terrível estado de
existência em que os nervos experimentam quando os sentidos estão vivos e
despertos, ao passo em que as faculdades da mente estão inativas. Um peso
mortal nos afligia. Caía sobre os nossos corpos, sobre os móveis e sobre os
copos. E tudo era depressivo e tenebroso, salvo as chamas de sete lâmpadas de
ferro que alumiavam a nossa orgia: alçando-se em altos e delgados espectros de
luz, permaneciam elas ardendo, pálidas e imóveis. E no espelho que o seu
reluzir formava sobre a mesa redonda de ébano, em torno da qual nos reuníamos,
cada um contemplava a palidez de seu próprio semblante e reparava no inquieto
brilho dos olhares de seus companheiros. Entretanto, ríamos. E estávamos
alegres ao nosso próprio modo histérico. E cantávamos as canções de Anacreonte,
que eram ensandecidas, e bebíamos muito, ainda que o vinho púrpura
lembrasse-nos a cor do sangue. Porque havia outro companheiro ali na sala: o
jovem Zoilo jazia morto, estendido e amortalhado, como se fosse o gênio e o
demônio da cena. Mas... Ah! Ele não participava de nossa alegria, salvo o seu
rosto, convulsionado pela Peste; e seus olhos, nos quais a morte apenas havia
apagado a metade do fogo da Peste, pareciam ter um certo interesse no nosso
júbilo, o mesmo júbilo que certamente os mortos sentem por aqueles que irão
morrer. Mas ainda que eu, Óinos, sentisse que os olhos do defunto estavam fixos
em mim, constrangia-me a não perceber a amargura de sua expressão e, enquanto
contemplava fixamente as profundezas do espelho de ébano, em voz alta e sonora
cantava as canções dos filhos de Téos. Mas, pouco a pouco, minhas canções foram
cessando e seus ecos, perdendo-se nas sombrias cortinas da sala, minguaram até
se tornarem inaudíveis, e desvaneceram-se completamente. Mas eis que dentre
aquelas cortinas, onde os ecos do canto morriam, penetrou uma sombra obscura e
indefinida. Uma sombra como a da Lua quando se inclina no céu e assume a
fisionomia de um homem; mas aquela não era a sombra de um homem, nem de Deus,
nem de um deus da Grécia ou da Caldeia, ou mesmo do Egito. E a sombra postava-se
sobre a entrada de bronze, por baixo do arco da porta, sem um movimento, sem
dizer palavras, e ali, imóvel, deixou-se ficar. Se bem me recordo, os pés do
amortalhado Zoilo voltavam-se para a porta na qual a sombra descansava. Mas
nós, os sete ali reunidos, tendo visto a sombra, no momento em que ela avançava
sobre os cortinados, não nos arrojávamos a contemplá-la fixamente, senão
baixamos os olhos e miramos as profundezas do espelho de ébano. Finalmente eu,
Óinos, balbuciando em voz baixa, perguntei à sobra qual a sua morada e seu
nome. E a sombra respondeu:
―Eu sou a
SOMBRA e a minha morada jaz nas proximidades das Catacumbas de Ptolomais, junto
às lúgubres planícies de Helusão, que margeiam o imundo canal de Caronte.
Então,
levantamo-nos os sete de nossas cadeiras, tomados de horror, trêmulos, pálidos,
porque o tom de voz da sombra não era o de um único ser, mas o de uma multidão
de seres; e , variando em suas cadências, de uma sílaba para outra, penetrava
obscuramente em nossos ouvidos, com inflexões familiares, e bem recordadas, dos
muitos milhares de amigos que já morreram.
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