Lembro que quando
eu era pequeno morria de medo daquela garotinha loira que ficava conversando
com a TV. Eu estava longe de nascer quando o primeiro Poltergeist — O
Fenômeno foi lançado, em 1982, mas como o filme fez bastante sucesso, nos
anos seguintes ele foi reexibido inúmeras vezes, ganhando mais fama ainda por
conta da história da suposta maldição sofrida pelo elenco. Já adolescente, tomei coragem de
assistir ao filme todo e adorei, porque é até engraçado de certo modo e era
impossível não torcer por aquela família. Alem disso, entendi que não era da
fofa menininha que eu tinha que ter medo.
Nesta quinta-feira
(21), chega aos cinemasPoltergeist — O Fenômeno, nova versão do clássico que
marcou toda uma geração. Tive a chance de assistir a esta nova versão, a
convite da Fox, no mesmo dia em que assisti ao filme original. Fazia muito
tempo que eu tinha assistido ao longa antigo e alguns detalhes fugiam à mente,
mas colocando as duas versões lado a lado, posso dizer que a de 2015 presta uma
ótima homenagem à de 82, por preservar a sua essência.
Tudo é bastante
parecido. Os cenários, a árvore assustadora do quintal, o boneco palhaço (que
ganha aqui um versão ainda mais assustadora), e até mesmo a família escolhida.
Kennedi Clements, a garotinha escalada para a produção atual, pode até não ser
loira, mas tem aquele mesmo olhar que Heather O'Rourke, e também manda bem em
cena.
O roteiro foi
atualizado, para adequar a história aos novos tempos (dessa vez não é só a TV
que é usada para se comunicar com os fantasmas, mas também tablets, smartphones
e até um drone), mas os arcos principais do filme são mantidos. Outra sacada
bem interessante para atualizar a história é que o médium que ajuda a família
nesta versão é uma estrela de um reality show sobre fantasmas daqueles bem
caricatos num canal de TV. E ele ganha tanto carisma nas mãos do ator Jared
Harris quanto a sensitiva baixinha e durona de Zelda Rubinstein no
primeiro Poltergeist.
O elenco, aliás, é
um grande acerto. Assim como no original, a família é bem real e legal, então
fica difícil não torcer para que eles se salvem. Vai dizer que naqueles filmes
que tem mocinhos chatos você não torce pelo vilão?
Comparando os
momentos nos quais os dois filmes foram lançados, é engraçado perceber como os
personagens foram construídos. Em 82, a família da trama era de classe média e
estava bem de vida, mas viu seu "sonho americano" desmoronar quando
descobrem o mal que assola a casa. Já na versão 2015, eles são uma família que
precisa se mudar para um bairro distante, numa casa estranha, tudo porque o pai
está desempregado e a mãe é uma escritora frustada.
O legal é que
aquele terror com toques místicos e uma boa dose de humor é mantido, o que
torna a experiência mais envolvente do que apenas assustadora. Você vai tomar
uns sustos, mas não vai sair do cinema tremendo de medo, porque a união dessa
família para acabar com o mal e seguir a vida é o grande mote do longa.
A nova versão de Poltergeist é
divertida e presta uma boa homenagem ao clássico. Alguma pessoas podem
argumentar que os filmes são muito parecidos e que isso torna a versão mais
recente desnecessária, mas acredito que as duas produções valem o tempo
investido e o dinheiro também. O mais o novo, inclusive, usa o 3D de maneira
muito bacana e apropriada.
O Poltergeist de
2015 tem tudo para agradar ao público mais jovem, por ter a estrutura de outros
longas de terror atuais, mas não deve ofender os mais nostálgicos. Assim como O
Massacre da Serra Elétrica, Madrugada dos Mortos e Viagem
Maldita, outros clássicos de terror que ganharam versões repaginadas bem
interessantes,Poltergeist volta aos cinemas reafirmando como uma boa
história pode ser contada de várias maneiras e passada adiante para novas
gerações.
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