Passava da meia noite
quando Jeremy saiu da casa de sua namorada. Ela insistiu para que ele passasse
a noite por lá, achava muito perigoso o rapaz andar pelas ruas escuras do
bairro, ainda mais naquele horário. A preocupação da garota tinha um motivo. Naquela
noite choveu muito forte, uma chuca acompanhada de raios, trovões e um vendaval
que contribuiu para que não só aquele bairro, mas vários outros ficassem sem
energia elétrica. Mesmo com a insistência da amada, Jeremy disse que precisava
ir, disse que tinha coisas a fazer, e com um beijo apaixonado se despediu da
garota e saiu em caminhada até o ponto de ônibus mais próximo.
Se já não bastasse a
desconfortante escuridão, o frio e o sereno a noite ainda contavam com o som
sinistro que a ventania provocava ao bater nas árvores. Isso fez com que Jeremy
apressasse os passos. Ele se apressou tanto que em poucos minutos chegou ao ponto
de ônibus, mas estava receoso, não sabia se realmente pegaria a condução, pois
as ruas estavam desertas e alguns poucos carros passavam. Mas para o seu
alivio, logo surgiu o ônibus e assim ele pode seguir o caminho de casa. Jeremy
desceria apenas no ponto final, pois morava próximo ao terminal rodoviário e,
nesse trajeto, aproveitou para puxar uma conversa com o motorista, que, aliás,
era seu amigo, sobre a tempestade daquela noite. A situação era muito critica,
a cidade toda estava as escuras, havia policiais e bombeiros auxiliando as
pessoas, recomendando que todos fossem o mais rápido possível para suas casas.
Cerca de vinte minutos
depois o ônibus chegou ao seu destino. Jeremy continuava a conversar com o
motorista enquanto as poucas pessoas que estavam no ônibus desciam, mas, antes
de fechar as portas do veiculo em definitivo por aquela noite, algo chamou a
atenção dos rapazes. Lá no fundo, precisamente no último assento do lado
esquerdo do ônibus, havia uma velha senhora, sentada, com os braços cruzados,
com a cabeça abaixada parecendo estar dormindo. O motorista ficou confuso,
aquela velha senhora havia entrado no ônibus com algumas pessoas, no qual se
destacavam pela vestimenta antiquada e de cor preta, mas todos desceram a
vários pontos antes do destino final. O motorista foi até a senhora na intenção
de acordá-la e também, saber se ela estava bem. Jeremy o acompanhou. Foram
várias tentativas de acordar a velha senhora, mas ela não esboçou nenhuma
reação, nem com os chamados, nem com os toques no ombro. O motorista colocou a
mão na testa da idosa e percebeu que a temperatura do corpo dela estava muito
baixa. Jeremy e o motorista de apavoraram achavam que a velha havia falecido
ali mesmo. Jeremy tirou seu telefone celular do bolso e enquanto tentava fazer
uma ligação para a policia, notou que a velha abriu os olhos. Aquela idosa, de
aparência frágil e dócil, com uma impressionante rapidez, segurou no braço do
motorista e com a voracidade de um animal selvagem, deu uma mordida cravando
bem fundo seus dentes pontudos, para logo em seguida arrancar um enorme pedaço
de carne. O motorista deu um enorme grito de dor e, tentando se livrar da
velha, tropeçou e caiu de costas no chão. Jeremy, mesmo apavorado com o que
acabou de ver, conseguiu arrastar o amigo e tirá-lo para fora do ônibus. A
velha perseguiu os dois. Ela andava muito rápido para alguém da idade que
aparentava ter. Os outros motorista e funcionários do terminal rodoviário, ao
ouvir os gritos desesperados, foram até o local e também se apavoraram ao a
horripilante senhora, que estava parada, olhando para todos ao redor com seus
olhos vermelhos e seu rosto desconfigurado medonho. O estranho era que ela
ficava abaixada, parecendo estar em posição de ataque, quando de repente ela
avançou sobre todos. Alguns correram para a rua, outros se trancaram em uma
sala dentro do terminal, mas um rapaz não conseguiu fugir e foi atacado pela
velha senhora, que literalmente devorou seu rosto. Por uma janela, Jeremy e
outras pessoas que estavam escondidas, viram a velha deixar o corpo do rapaz e
correr para a rua, que ainda estava em completa escuridão por consequência da
chuva. Todos permaneceram escondidos até o dia clarear.
Mais duas mortes
idênticas à morte do funcionário do terminal rodoviário foram registradas
naquela noite, mas ninguém soube dizer quem ou o que teria cometido tais
atrocidades. Nem mesmo Jeremy, ou o motorista, ou todas as pessoas que
presenciaram as cenas de terror daquela estranha noite, sabiam o que realmente
aconteceu, quem era aquela pavorosa idosa, e porque ela agia daquela forma.
Ator: Felipe AG
Fonte: FACE DO MEDO

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